Alagamentos em Caieiras: força da natureza ou inoperância do poder público?
- primeiraimpressaor
- há 1 dia
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O domingo, 8 de fevereiro, foi marcado por fortes chuvas, enchentes e alagamentos em Caieiras, expondo mais uma vez um problema antigo e recorrente da cidade.

Enquanto moradores lidavam com ruas tomadas pela água, prejuízos materiais e o medo constante, a pergunta que se impõe é inevitável: trata-se apenas de um evento extremo da natureza ou da ausência de políticas públicas eficazes para mitigar os impactos das chuvas?
A cidade ainda vivia o clima de Carnaval. No sábado, dia 7, ocorreu o tradicional desfile do Bloco do Renatão e, ainda durante a festividade, a instabilidade do tempo já indicava que a noite e o dia seguinte seriam de chuva intensa. Nada fora do previsto. Historicamente, fevereiro e março concentram altos volumes pluviométricos, e em 2026 não tem sido diferente. Temporais têm atingido com frequência a região Sudeste, impulsionados pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, fenômeno amplamente conhecido e monitorado pelos órgãos meteorológicos.
Se o histórico é conhecido e as previsões são claras, por que Caieiras continua sendo castigada ano após ano por alagamentos, enchentes e até deslizamentos em pontos já mapeados como críticos?
Parte da resposta está na geografia. Caieiras ocupa a posição mais baixa entre os municípios que integram a bacia do Rio Juqueri. Na prática, isso significa que toda a água proveniente das chuvas em Franco da Rocha e Francisco Morato tem como destino final o território caieirense. No último domingo, esse cenário se repetiu. Enquanto Franco da Rocha conseguiu conter parte do volume por meio de seus piscinões de contenção, como os EU-08 e EU-09, Caieiras não contou com qualquer sistema eficaz de contingenciamento.

O resultado foi previsível: quando a água começou a escoar, um volume massivo atingiu a cidade, causando alagamentos severos. Franco da Rocha passou quase ilesa pelas chuvas; Caieiras, não. As obras realizadas pelo Governo do Estado nos municípios vizinhos demonstram que planejamento e investimento reduzem drasticamente os transtornos causados pelos temporais e aumentam, de fato, a segurança da população.
O sistema, no entanto, só será realmente eficiente quando Caieiras fizer a sua parte. É imprescindível que o município busque, junto ao Governo do Estado, soluções estruturais para que a cidade deixe de ser o ponto mais vulnerável da bacia. Medidas existem e são conhecidas. A dragagem do leito do Rio Juqueri, por exemplo, poderia ampliar a capacidade de escoamento da água. A criação de áreas alagáveis controladas, verdadeiros “pulmões” de contenção e ajudaria a absorver picos de chuva sem transferir o problema diretamente para as áreas urbanas.
O que se observa, porém, é a ausência de um debate consistente e de investimentos efetivos por parte da atual gestão municipal. Pouco ou nada se ouviu sobre obras estruturantes para combater alagamentos e enchentes. O episódio do último domingo poderia ter sido minimizado, ou até evitado, com planejamento. Em vez disso, a cidade segue presa a um ciclo repetitivo de prejuízos e insegurança. Enquanto milhões são destinados a festejos e eventos pontuais, Caieiras continua convivendo com sua velha e triste rotina de ruas submersas.

E o alerta permanece. De acordo com a previsão do tempo, fevereiro seguirá marcado por chuvas frequentes e intensas na região. Para os próximos dias, a expectativa é de precipitações constantes, com possibilidade de temporais mais severos e temperaturas variando entre 24 °C e 29 °C. A Defesa Civil orienta que a população evite áreas de risco, fique atenta a encostas e acompanhe os comunicados oficiais. As previsões podem sofrer alterações rápidas, o que torna ainda mais urgente a adoção de medidas preventivas.








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