Baixa votação de Alexandre Pereira cria desgaste entre Lorena e Solidariedade em Franco da Rocha
Mesmo com campanha intensa da prefeita, candidato do partido recebeu apenas 1.437 votos na cidade; resultado desagradou dirigentes e Republicanos aparece nos bastidores como possível caminho para Lorena pensando em 2028

As Eleições 2026 terminaram, mas em Franco da Rocha uma das principais consequências das urnas pode aparecer somente daqui a dois anos. A baixa votação de Alexandre Pereira para deputado federal criou um problema político para a prefeita Lorena Oliveira dentro do Solidariedade e pode antecipar uma movimentação partidária de olho na eleição municipal de 2028.
Alexandre não recebeu apenas uma declaração protocolar de apoio da prefeita. Lorena entrou na campanha. Pediu votos publicamente, participou de atos e chegou a subir em carro de som para defender a candidatura do correligionário. Mesmo com toda essa exposição, Alexandre terminou a eleição com apenas 1.437 votos em Franco da Rocha.
O número chama ainda mais atenção pelo peso político do candidato dentro do próprio partido. Alexandre é presidente estadual do Solidariedade em São Paulo. Portanto, a expectativa em torno do desempenho em uma cidade administrada por uma prefeita da legenda naturalmente era maior.
Nos bastidores, segundo informações apuradas pelo Jornal Primeira Impressão, o resultado não foi bem recebido por integrantes da cúpula do Solidariedade. O incômodo não estaria apenas na derrota eleitoral de Alexandre, mas principalmente na pequena votação alcançada em Franco da Rocha mesmo depois do empenho público da prefeita em sua campanha.
A eleição acabou funcionando também como um teste político para Lorena. Em 2024, ela conquistou a Prefeitura com 36.141 votos, correspondentes a 51,80% dos votos válidos. Dois anos depois, porém, todo o envolvimento da prefeita na campanha de Alexandre resultou em apenas 1.437 votos para o candidato na cidade.
É evidente que uma eleição municipal e uma disputa para deputado federal são diferentes e não permitem uma comparação matemática direta. Mas política também é feita de demonstrações de força, e a capacidade de uma liderança transferir votos para seus candidatos costuma entrar nessa conta. E foi justamente outra candidata apoiada por Lorena que apresentou resultado bastante diferente.

Renata Sene, do Republicanos, recebeu 8.504 votos em Franco da Rocha e foi eleita deputada estadual. A votação foi quase seis vezes superior à obtida por Alexandre na cidade, ainda que os dois tenham disputado cargos diferentes.
O resultado cria uma situação curiosa. O candidato do partido da prefeita não conseguiu transformar o apoio de Lorena em uma votação expressiva. Já uma candidata de outra legenda, igualmente apoiada por ela, venceu a eleição e saiu fortalecida.
É nesse cenário que o Republicanos começa a aparecer nos bastidores como uma possível alternativa para Lorena. Até o momento, tudo não passa de especulação politica, mas com certeza, essa é uma das possibilidades a serem discutidas diante do novo cenário criado pelas urnas. Mas há uma razão bastante objetiva para 2028 já entrar nessa conversa. Lorena pretende buscar a reeleição para a Prefeitura daqui a dois anos.
A eleição de Alexandre deixou uma mensagem incômoda: ter votos para si própria não significa necessariamente conseguir transferi-los para outro candidato. Se pretende disputar novamente a Prefeitura, Lorena terá pela frente o desafio de ampliar sua força política, construir novas alianças e chegar a 2028 com uma estrutura partidária capaz de sustentar seu projeto eleitoral.
Nesse tabuleiro, o Republicanos pode se tornar atraente. É o partido de Renata Sene, que sai de 2026 eleita deputada estadual, e também integra um campo político com presença relevante no Governo do Estado. Uma eventual mudança, porém, teria um componente particularmente delicado.
Foi o Solidariedade que deu espaço político para Lorena disputar a Prefeitura em 2024. Foi pela legenda que ela chegou ao comando do Executivo municipal. Uma saída justamente depois da baixa votação do presidente estadual do partido em Franco da Rocha inevitavelmente poderia ser interpretada internamente como uma espécie de traição política.
Do ponto de vista de Lorena, entretanto, uma eventual mudança poderia receber outro nome: estratégia. É aí que começa o jogo de 2028.

Na política, traição e estratégia muitas vezes descrevem exatamente o mesmo movimento. O nome muda dependendo apenas do lado da mesa em que cada um está sentado. Lorena continua no Solidariedade. O Republicanos, por enquanto, aparece apenas como possibilidade nos bastidores. Mas uma coisa as urnas já fizeram: os 1.437 votos de Alexandre Pereira em Franco da Rocha anteciparam uma discussão que, até domingo, parecia pertencer apenas a 2028.




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