443 mil votos em jogo: o CIMBAJU conseguirá eleger seus próprios deputados?
Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã somam cerca de 443 mil eleitores; desafio das candidaturas regionais será transformar essa força eleitoral em representação na Alesp e na Câmara dos Deputados

O CIMBAJU tem eleitor suficiente para fazer muito barulho nas eleições de 2026. Somadas, Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã reúnem aproximadamente 443 mil eleitores aptos a votar. É um contingente expressivo e capaz de contribuir decisivamente para eleger deputados estaduais e federais. O problema é que 443 mil eleitores não votam juntos.
É justamente aí que começa a grande disputa. Diferentemente das eleições municipais, quando cada cidade concentra suas atenções em candidatos a prefeito e vereador, na eleição proporcional os votos se espalham por centenas de nomes de todo o Estado. Entram nessa conta candidatos com forte identificação local, deputados já conhecidos, nomes apoiados por prefeitos, igrejas, sindicatos, partidos e lideranças políticas, além daqueles que aparecem na região durante a campanha tentando conquistar uma parcela desse enorme eleitorado.
Por isso, existe uma diferença importante entre receber votos na região e representar a região. Uma candidatura regional não é uma categoria prevista pela Justiça Eleitoral. É uma definição política: candidatos cuja trajetória, identidade ou principal base eleitoral está ligada às cidades do CIMBAJU e que pretendem transformar essa força construída localmente em uma cadeira na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.
E candidatos com esse perfil não faltam nesta eleição. Há nomes com bases importantes em diferentes cidades do CIMBAJU disputando tanto vagas de deputado estadual quanto federal. Alguns concentram sua força em uma única cidade; outros tentam ampliar seus limites e construir uma candidatura verdadeiramente regional. O desafio será justamente atravessar as divisas municipais. Afinal, ser muito conhecido em Franco da Rocha não significa necessariamente ter votos em Caieiras; ter força em Cajamar não garante presença em Mairiporã ou Francisco Morato.
Talvez essa seja a questão central desta eleição: o CIMBAJU existe eleitoralmente ou apenas geograficamente? As cinco cidades compartilham problemas que ultrapassam suas divisas e ter representantes com vínculo direto com esse território pode significar maior capacidade de colocar essas demandas na pauta estadual e federal.
Mas existe outro lado. Votar simplesmente em alguém porque nasceu ou construiu carreira política na região também não é garantia de boa representação. O eleitor precisa avaliar trajetória, propostas, capacidade política e, principalmente, o compromisso que esses candidatos demonstraram com as cidades antes de aparecerem pedindo votos.
No dia 4 de outubro, os aproximadamente 443 mil eleitores do CIMBAJU estarão diante de centenas de opções para deputado estadual e federal. Parte desses votos ficará com candidatos da própria região, enquanto outra parcela seguirá para nomes com bases políticas em diferentes pontos do Estado. É o funcionamento natural de uma eleição proporcional.
O que os números deixam evidente é que Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã possuem, juntas, uma força eleitoral que já não pode ser tratada como coadjuvante. São quase meio milhão de eleitores vivendo em cidades que compartilham problemas, necessidades e interesses comuns.
Transformar esse peso eleitoral em representação política efetiva é o próximo passo para uma região que cresceu, ganhou importância e também precisa ampliar sua voz na Alesp e em Brasília.



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