“O verdadeiro culpado está solto”: Maicol rompe o silêncio e faz novas acusações no Caso Vitória
Preso há mais de um ano, réu se declara inocente, volta a questionar a confissão anulada pela Justiça e dispara críticas contra personagens envolvidos no caso que chocou Cajamar e o país

Preso há mais de um ano e aguardando julgamento pela morte de Vitória Regina de Sousa, Maicol Sales voltou a fazer declarações fortes sobre um dos crimes de maior repercussão da história recente de Cajamar. Em entrevista exclusiva ao Link Investigação, conduzida pela jornalista Carla Albuquerque, ele se declarou inocente, afirmou estar preso injustamente e sustentou que o verdadeiro responsável pelo crime estaria em liberdade.
As declarações ganham peso diante das reviravoltas que o processo acumulou. Maicol chegou a confessar o assassinato, mas posteriormente voltou atrás e afirmou ter sido coagido. Em novembro de 2025, a Justiça anulou aquela confissão após considerar irregulares as circunstâncias em que o depoimento foi obtido. A decisão, entretanto, não significou sua absolvição: Maicol continua preso preventivamente e deverá ser levado a júri popular, já que existem outros elementos no processo que sustentaram a decisão de submetê-lo a julgamento.

Na nova entrevista, Maicol também faz duras acusações contra a advogada que o acompanhou naquele período e apresenta sua versão sobre a atuação da profissional. Ao falar do secretário municipal de Segurança de Cajamar, foi ainda mais contundente: classificou-o como uma “farsa” e afirmou acreditar que a “justiça de Deus” será maior diante do que, segundo ele, aconteceu durante o caso. As acusações representam a versão de Maicol e não devem ser interpretadas como fatos comprovados.
A presença do secretário no episódio da confissão já havia aparecido anteriormente nas alegações do réu. Em entrevista concedida em 2025, Maicol afirmou que o secretário municipal de Segurança estava no local e teria participado de conversas relacionadas à sua mãe durante o interrogatório. A Prefeitura de Cajamar, à época, refutou veementemente a versão, afirmou que a investigação foi conduzida exclusivamente pela Polícia Civil e repudiou tentativas de distorcer os fatos.

O Caso Vitória ganhou ainda outro ingrediente neste ano. Um perito que participou da investigação afirmou publicamente ter sofrido pressão para alterar informações de laudos e declarou que sua equipe não encontrou sangue humano na primeira perícia realizada na casa de Maicol. A Secretaria de Segurança Pública contestou os questionamentos e sustentou que o inquérito foi conduzido com rigor.
Nada disso permite concluir que Maicol seja inocente ou que exista outro responsável pelo assassinato. Mas a anulação da confissão, os questionamentos surgidos posteriormente sobre pontos da investigação e agora as novas declarações do próprio réu mantêm perguntas incômodas em torno do caso.
Se Maicol afirma ser inocente, quem seria o “verdadeiro culpado” que, segundo ele, continua solto? Por que confessou um crime que agora nega ter cometido? E, principalmente, o que as provas apresentadas ao Tribunal do Júri serão capazes de demonstrar?
No Caso Vitória, depois de tantas versões, acusações e reviravoltas, talvez essa continue sendo a pergunta que realmente importa:
Quem matou Vitória!




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