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“Pau que dá em Chico dá em Francisco”: Vereador reclama de ataques e protagoniza novo embate na Câmara

há 2 horas
3 min de leitura

Vereador Josemar Soares reclama de ataques nas redes sociais, é confrontado por Birruga e transforma discurso sobre tolerância em mais um bate-boca na Câmara de Caieiras


Há uma velha máxima que diz que a memória costuma ser curta, principalmente quando se trata de política. Na sessão de quarta-feira (4), o vereador Josemar Soares Vicente, resolveu dar uma demonstração disso ao ocupar a tribuna da Câmara Municipal de Caieiras para reclamar dos ataques que recebeu nas redes sociais por ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro e a candidatos da direita nas eleições deste ano. Até aí, nada demais. Todo cidadão tem o direito de escolher seus candidatos, manifestar suas preferências e, naturalmente, não ser ofendido por isso. O problema começa quando o discurso sobre respeito vem justamente de quem, durante a campanha, não parece ter feito muita questão de praticá-lo.


O vereador Josemar Soares Vicente, conhecido como Lagoinha Josi, utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Caieiras para reclamar das críticas recebidas nas redes sociais após declarar apoio a candidatos da direita nas eleições.
O vereador Josemar Soares Vicente, conhecido como Lagoinha Josi, utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Caieiras para reclamar das críticas recebidas nas redes sociais após declarar apoio a candidatos da direita nas eleições.

Lagoinha falou sobre democracia, tolerância e convivência entre pessoas que pensam diferente. Disse que respeito gera respeito e lamentou que outros vereadores, segundo sua avaliação, tivessem preferido esconder suas escolhas políticas por medo da reação popular. Foi quando o vereador Birruga resolveu interromper a aula de boas maneiras. Lembrou que também havia se posicionado nas eleições e criticou a mania de Lagoinha de falar em nome dos demais parlamentares, como se suas impressões fossem verdades compartilhadas por toda a Casa. O tom subiu, vieram as farpas e a sessão ganhou mais um daqueles momentos que pouco acrescentam à vida de quem espera alguma coisa do Legislativo.


O clima esquentou quando o vereador Birruga contestou as declarações de Josemar, que afirmou ter sido o único parlamentar a manifestar publicamente suas preferências eleitorais. A intervenção provocou uma troca de farpas entre os dois vereadores.
O clima esquentou quando o vereador Birruga contestou as declarações de Josemar, que afirmou ter sido o único parlamentar a manifestar publicamente suas preferências eleitorais. A intervenção provocou uma troca de farpas entre os dois vereadores.

Mas o que chama a atenção nessa história não é a discussão entre os dois vereadores. É a facilidade com que Lagoinha parece ter esquecido a própria atuação durante a campanha eleitoral. Quem acompanhou suas manifestações públicas viu um parlamentar bastante diferente daquele que agora pede compreensão. Em discursos feitos sobre carros de som, microfone em punho, o vereador atacou adversários políticos, entre eles Renata Sene, ex-vereadora de Francisco Morato eleita deputada estadual, e Kiko Celeguim, do PT. Em uma de suas manifestações, chegou a defender que o PT deveria ser “varrido” da cidade. Uma linguagem que dificilmente combina com a defesa da convivência democrática apresentada agora na tribuna.


É claro que ninguém deve ser ameaçado ou perseguido por suas convicções políticas. Isso vale para Lagoinha, para Birruga, para os eleitores de Flávio Bolsonaro, para os eleitores de Lula e para qualquer cidadão. Mas também é preciso entender que liberdade de expressão não significa imunidade à crítica. Quem escolhe fazer política aos gritos, atacando adversários em praça pública, não pode se surpreender quando suas próprias posições passam a ser questionadas. Muito menos transformar toda reação contrária em falta de respeito.

Talvez Lagoinha tenha descoberto, depois das urnas fechadas, que a democracia também funciona na direção contrária. Que o microfone não serve apenas para atacar, que o eleitor não é obrigado a concordar e que o respeito cobrado hoje deveria ter sido oferecido ontem. Afinal, há uma diferença enorme entre defender uma posição política e imaginar que todos precisam aplaudi-la.


Durante a campanha eleitoral, Josemar Soares Vicente declarou apoio a Flávio Bolsonaro e fez duras críticas a adversários políticos. Encerrada a eleição, o vereador passou a cobrar respeito às suas próprias posições políticas.
Durante a campanha eleitoral, Josemar Soares Vicente declarou apoio ao candidato derrotado Flávio Bolsonaro e fez duras críticas a adversários políticos. Encerrada a eleição, o vereador passou a cobrar respeito às suas próprias posições políticas.

No fim das contas, o vereador poderia ter poupado a Câmara de mais esse espetáculo. Porque, depois de tudo o que foi dito durante a campanha, subir à tribuna para reclamar da reação das pessoas tem um quê de ironia involuntária. E, como diz outra velha máxima, bastante apropriada para a ocasião: Aqui se planta, aqui se colhe.

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