Denúncias colocam distribuição de medicamentos em Caieiras sob suspeita
- primeiraimpressaor
- há 2 dias
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Após mudança da insulina distribuída pela Farmácia Municipal, relatos apontam aumento das reclamações; ex-funcionário denuncia falhas no armazenamento, transporte e controle de medicamentos no CAF.

O que deveria representar segurança para milhares de pacientes que dependem diariamente da rede pública de saúde passou a ser motivo de preocupação dentro do próprio sistema municipal.
O Jornal Primeira Impressão teve acesso a uma série de denúncias envolvendo a Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF) de Caieiras, responsável pelo armazenamento e distribuição de medicamentos para toda a rede municipal. Os relatos apontam para possíveis falhas na conservação de medicamentos termolábeis, divergências de estoque, problemas administrativos e questionamentos sobre a distribuição de insulina a pacientes diabéticos.
A primeira denúncia partiu de um médico da rede municipal de saúde, que, sob condição de anonimato, relatou à reportagem uma mudança que, segundo ele, passou a ser percebida na rotina dos consultórios após a substituição da insulina anteriormente fornecida pelo SUS.
Segundo o profissional, durante anos seus pacientes utilizaram marcas amplamente reconhecidas, como Novolin e Humulin, sem que houvesse um volume significativo de reclamações relacionadas ao controle glicêmico. O cenário, segundo ele, mudou após a distribuição de um composto fabricado na China, quando pacientes passaram a retornar aos consultórios relatando dificuldades para manter a glicemia estabilizada.

"Quando eu receitava a insulina e as marcas oferecidas eram as anteriores, praticamente não havia esse tipo de reclamação. Depois da mudança, comecei a ouvir diversos pacientes dizendo que a glicemia deixou de ficar controlada", afirmou o médico.
Ainda segundo o profissional, o descontrole glicêmico pode trazer consequências graves à saúde e, em casos extremos, evoluir para situações de risco de morte.
As reclamações relatadas pelo médico encontram paralelo em manifestações públicas de consumidores de diferentes regiões do país. Em plataformas abertas de reclamações e redes sociais, diversos usuários relatam dificuldades no controle da glicemia, suspeitas de perda de eficácia do tratamento e problemas relacionados aos produtos da GlobalX Pharma. Embora esses relatos não constituam prova técnica sobre eventual defeito do medicamento, demonstram que as queixas não se restringem ao município de Caieiras.
Em âmbito nacional, a empresa também esteve no centro de uma discussão envolvendo o fornecimento de insulina ao Sistema Único de Saúde. Em 2025, o Ministério da Saúde determinou a substituição de aproximadamente 50 mil canetas reutilizáveis distribuídas pela empresa após notificações de falhas registradas em diversos estados brasileiros, incluindo relatos de vazamentos, quebra dos dispositivos e dificuldades durante a aplicação da medicação.

As denúncias recebidas pelo Jornal Primeira Impressão vão além da discussão sobre o fabricante. Um ex-funcionário da Central de Abastecimento Farmacêutico procurou a reportagem para denunciar supostas irregularidades no armazenamento e na distribuição de medicamentos. Segundo ele, as insulinas chegavam ao CAF transportadas em veículos sem controle de temperatura e, em diversas ocasiões, permaneciam por horas fora da refrigeração recomendada pelo fabricante antes de serem armazenadas. O ex-funcionário encaminhou ao Jornal Primeira Impressão fotografias que, segundo ele, mostram caixas contendo insulina fora do ambiente refrigerado.
Além da questão envolvendo a cadeia de frio, o denunciante afirma que identificou divergências entre o estoque físico e o registrado no sistema, medicamentos vencidos nas prateleiras, termômetros sem calibração, registros de temperatura que, segundo ele, não correspondiam às condições reais de armazenamento, falta de higienização das caixas térmicas (gelox) utilizadas no transporte dos medicamentos e inconsistências na conferência de materiais enviados às unidades de saúde.
Ele também afirma que teria sido impedido de participar de conferências de estoque, inclusive de medicamentos controlados, e relata que erros administrativos eram recorrentes dentro do setor e tratados como algo comum. As denúncias podem representar não apenas falhas administrativas, mas um risco potencial à segurança dos pacientes que dependem diariamente da correta conservação e distribuição de medicamentos sensíveis à temperatura.
O Jornal Primeira Impressão continuará apurando os fatos, analisando os documentos recebidos e ouvindo outras fontes ligadas à rede municipal de saúde.
O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Caieiras, da Secretaria Municipal de Saúde, da empresa responsável pelo fornecimento do medicamento e de todos os citados nesta reportagem.




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