Quando o trabalhador é ignorado, falta tudo: O retrato de Caieiras no 1º de maio
- primeiraimpressaor
- há 14 minutos
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E aí fica a pergunta inevitável: Por que há investimento em eventos pontuais com viés questionável, mas não há espaço para reconhecer quem move a cidade todos os dias?

O calendário marca mais uma vez o 1º de maio, data emblemática para quem constrói o país com o próprio esforço. O Dia do Trabalhador não é apenas um feriado: É um símbolo de luta, de conquistas históricas e, sobretudo, de reconhecimento. Em muitas cidades, essa data ganha vida com eventos, shows, atividades culturais e momentos de confraternização. É quando o trabalhador deixa de ser apenas estatístico e passa a ser protagonista. Mas, em Caieiras, o silêncio, mais uma vez, fala mais alto.
Mais um ano sem programação oficial. Não há um gesto. Não há sequer um aceno simbólico de valorização. A atual administração, simplesmente ignora a data. E isso não é detalhe é postura com uma mensagem bem clara sobre o que é relevante ou não. Enquanto municípios vizinhos, como Franco da Rocha, organizam festividades e reconhecem publicamente a importância do trabalhador, Caieiras opta pela ausência. E a ausência, nesse caso, fala muito.
O contraste se torna ainda mais evidente quando se observa o que foi feito no último domingo, durante a entrega de títulos de propriedade no Jardim Vitória, o que deveria ser um momento institucional e de dignidade para famílias que aguardaram anos por esse direito, foi transformado em algo que beira um espetáculo circense. Banda, chopp, churrasco, algodão doce, refrigerante e até a famigerada carreta furacão. Um cenário que, segundo relatos de quem estava presente, não dialogava com o público, em sua maioria idosos, que aguardavam por algo sério, objetivo e respeitoso. Resultado: excessos, desperdício e um sentimento de total desconexão com a população. O que era para ser entrega virou esquete.
E aí fica a pergunta inevitável: por que há estrutura para esse tipo de ação, mas não há para celebrar o trabalhador? Por que há investimento em eventos pontuais com viés questionável, mas não há espaço para reconhecer quem move a cidade todos os dias?
A resposta talvez esteja em algo mais profundo do que a simples ausência de agenda. Trata-se de prioridade. De visão, sensibilidade, ou a falta dela.
Porque quando uma gestão deixa de reconhecer o trabalhador, ela não está apenas ignorando uma data, ela está revelando como enxerga sua própria população. E isso se reflete em outras áreas, de forma quase inevitável.
Falta respeito com o aposentado que passa horas em filas para retirar um medicamento que muitas vezes nem está disponível. Falta respeito com as mães atípicas, que enfrentam diariamente uma jornada invisível, sem o suporte necessário. Falta respeito com quem aguarda por atendimento médico e encontra demora, estrutura precária e respostas insuficientes. Falta respeito com quem busca lazer e encontra praças e quadras abandonadas. Falta respeito com os alunos, em uma cidade onde, segundo registros, a última sala de aula construída remonta a 2016.
E quando o respeito deixa de ser prioridade, o problema deixa de ser pontual, ele se torna estrutural. O Dia do Trabalhador passa, o silêncio permanece. E em meio a esse vazio, fica uma constatação incômoda, mas necessária: quando falta respeito, falta tudo.




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