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Dia do Servidor Público: em Caieiras, sobram homenagens e faltam respostas

há 1 hora
2 min de leitura
Paralisação, impasse salarial, disputas judiciais e denúncias de condições precárias de trabalho expõem uma relação desgastada entre a Prefeitura e o funcionalismo municipal.

Cinco meses depois, os efeitos daquela mobilização continuam sendo discutidos na Justiça. Segundo comunicado do SINSERPUCA, a Prefeitura rejeitou, durante audiência, todos os pedidos apresentados pelo sindicato
Cinco meses depois, os efeitos daquela mobilização continuam sendo discutidos na Justiça. Segundo comunicado do SINSERPUCA, a Prefeitura rejeitou, durante audiência, todos os pedidos apresentados pelo sindicato

Neste 28 de outubro, Dia do Servidor Público, certamente não faltarão mensagens de reconhecimento, homenagens e agradecimentos aos profissionais que mantêm Caieiras funcionando. Mas, diante do histórico recente da administração municipal, uma pergunta precisa ser feita: de que vale homenagear o servidor nas redes sociais enquanto suas reivindicações encontram resistência dentro da Prefeitura?


Ao longo de 2026, a relação entre o Executivo e o funcionalismo foi marcada por conflitos. Houve paralisação, cobranças por reajuste salarial, denúncias de sobrecarga e condições inadequadas de trabalho, além de disputas judiciais envolvendo direitos dos trabalhadores. Um cenário que contrasta com qualquer discurso oficial de valorização.



Em maio, servidores cruzaram os braços diante das dificuldades de diálogo com a administração. Cinco meses depois, os efeitos daquela mobilização continuam sendo discutidos na Justiça. Segundo comunicado do SINSERPUCA, a Prefeitura rejeitou, durante audiência, todos os pedidos apresentados pelo sindicato, inclusive a possibilidade de reposição do dia de greve, a preservação da cesta básica e o pagamento dos valores correspondentes. A liminar solicitada foi negada, mas o mérito da ação ainda não foi julgado.


O episódio é emblemático. Uma administração que não aceita sequer a proposta de reposição de um dia de paralisação, conforme relata o sindicato, transmite uma mensagem preocupante sobre sua disposição para negociar com os próprios trabalhadores.


O impasse salarial também deixou marcas. A Prefeitura encaminhou à Câmara um projeto que misturava o reajuste dos servidores com mudanças na estrutura administrativa, incluindo cargos comissionados. A proposta foi rejeitada, e a categoria precisou continuar cobrando uma solução específica para seus vencimentos.


Até mesmo o reconhecimento de direitos relacionados ao chamado Descongela foi objeto de disputa judicial, com o sindicato reivindicando o protagonismo de uma conquista posteriormente anunciada pela administração municipal.



O que se observa é uma sucessão de episódios que coloca em dúvida a efetividade da política de valorização do funcionalismo em Caieiras. E quem perde não é apenas o trabalhador. Perde também a população, que depende diariamente dos serviços prestados por esses profissionais.


Servidor público não é propriedade de prefeito, não deve submissão política a governo algum e não pode ser tratado como adversário por reivindicar direitos. Sua obrigação é servir à população, assim como a obrigação da administração é assegurar condições dignas para que esse trabalho seja realizado.

Neste Dia do Servidor Público, o Jornal Primeira Impressão presta sua homenagem aos profissionais que, apesar das dificuldades, continuam sustentando os serviços essenciais do município. Mas homenagear também é cobrar respeito.


Porque valorização não se faz com postagem bonita, discurso ensaiado ou mensagem de ocasião. Faz-se com salário, direitos, diálogo e dignidade. E é justamente isso que os servidores de Caieiras vêm cobrando.

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